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Filhotinho de bacuri: saiu andando como se não houvesse amanhã pelas ruas de Baires, quando viu estava perdido no Retiro com fome, com vontade de tomar uns drinks, olhou no mapa e estava muito longe daquele restaurante/bar que aquela prima de Botucatu recomendou quando veio aqui em Lua de Mel? Fechou com a CVC o pacote turístico, ficou hospedado num hotel e se frustrou quando te disseram que o fervo mesmo fica em Palermo? Este post é pra você!

O Retiro não é um bairro que figura muito na agenda por ser um bairro meio comercial, e que, portanto, fica movimentado durante o dia e algo vazio durante a noite. Mas ainda assim, muitos turistas podem ser vistos por aqui meio sem rumo, com câmeras caras e lentes poderosas, ou equilibrando algumas sacolas de compras depois de uma bateção de perna na Calle Florida: aquele point que depois você descobre ser meio furado, seja porque pagou mais caro enquanto jurava que tava pagando baratíssimo numa jaqueta de couro meio sem corte, seja porque acabou sendo engabelado ao trocar moeda estrangeira pela moeda local, enfim… Acontece… Mas não desanime!

O que imagino que poucos sabem é que o bairro tem ótimas opções gastronômicas e etílicas, alguns museus surpreendentes, uma arquitetura bem linda e a praça mais charmosa de Buenos Aires. Imagino que muitos também não sabem que o prefeito de Buenos Aires tem investido pesado para revitalizar essa zona, transformando várias ruas engarrafadas e estreitas em ruas apenas para pedestres, recuperando edifícios históricos, jogando uns holofotes com luz bem forte pra iluminar os trechos escuros. Não que seja um bom prefeito. Longe disso. Mauri Macri é um tremendo garca! Não vou traduzir, desculpa.

História

O Retiro se confunde um pouco com a Plaza San Martin, um complexo de praças algo independentes e seu entorno heterogêneo e charmoso, cheio de edifícios elegantes e históricos. Conta a história que até o final do século XVII, esta  zona era conhecida como “El Retiro”, devido à uma ermida instalada ali por um monge. A princípios do século seguinte, virou um mercado de escravos e no princípio do século XIX albergou a segunda e última Plaza de Toros que existiu em Buenos Aires, que funcionou até 1819, quando as corridas foram proibidas. Depois de tudo isso ainda albergou o Regimento de Cavalos do próprio Geral San Martin e foi só no final daquele século que começou a ganhar o contorno que tem hoje.

Um dos setores da Plaza limita com o Palácio San Martin de um lado e com a Avenida Santa Fe do outro. Tem um paisagismo belíssimo essa parte com esculturas e árvores diversas, jacarandás, palmeiras, ombús. Depois, atravessando uma ruazinha na parte inferior, chega-se ao outro setor da praça com o monumento em bronze do General San Martin sobre um cavalo, apontando com o dedo para o alto, a Cordilheira dos Andes, a rota libertadora (as campanhas de San Martin liberaram não só a Argentina, mas também o Chile e o Peru, ou seja, bafo. Ou ainda, groso, que é o bafo deles aqui). Conta a história que este é o monumento equestre mais antigo da cidade de Buenos Aires.

Descendo mais um pouquinho chega-se a uma ladeira verde deliciosa. Se você sair rolando por essa ladeira como tem a sorte de fazer algumas crianças, desemboca no Monumento aos Caídos da Guerra das Malvinas. Esse setor limita com a Avenida Libertador e as Estação Retiro.

E ao redor de tudo isso tem uns edifícios que vale super a pena conferir:

Arquitetura

Palacio San Martin

psmartin

Este era uma propriedade dos antagonistas dos Kavanagh, os Anchorena. Foi inaugurado para comemorar o Centenário da Declaração de Independência Argentina. Tem umas cúpulas maravilhosas, é um expoente da escola de Belas Artes. Depois foi adquirido pelo Governo e se transformou a sede do Ministério de Relações Exteriores. Foi quando mudou de nome, de Palacio Anchorena para Palacio San Martin. Hoje ali funciona o cerimonial do Ministério, e de vez em quando tem também umas exposições.

Fica na: Arenales 761

Kavanagh

kavanagh

Quando foi construído nos anos 30, essa torre era o edifício mais alto de toda a América do Sul. Tem 120 metros distribuídos numa estrutura escalonada. Reza a lenda que foi construído por uma família para obstruir a visão de outra família da Igreja do Santíssimo Sacramento. A obstrução da visão era uma vingança de Corina Kavanagh à familia Anchorena (uma das mais tradicionais da cidade) que não permitiu um romance entre sua filha e um Anchorena O apartamento de Corina ficava no 14º andar, com mais de 700 metros e vista de 360º para Puerto Madero, a Plaza San Martin e todo o resto da cidade. Foi tombado pela UNESCO como Patrimônio e aqui todo mundo conhece o conto de vingança do Kavanagh.

Fica na: Florida 1065

Museos

Museo Ferroviario

museo-ferroviario

Pode parecer meio nerd. E é. Mas é bem interessante também esse museu. A Argentina já chegou a ter uma das maiores malhas ferroviárias do mundo. E lá dá pra ver um pouco disso. Tem desde luminárias das estações, uniforme dos funcionários e prataria, até bilhetes de trem antigos, maquetes várias. Uma inclusive ficava exposta na Estação Constitución e as pessoas podiam inserir moedas para ativar o funcionamento da locomotora. E assim as pessoas podiam ver como funcionava. Lá fora tem um vagão presidencial da época de Perón. E ali você pode ver os trens chineses chegando e partindo da Estação Mitre. E também pode ver o ateliê ao ar livre do Regazzoni que é um artista que faz esculturas de ferro, com os restos dos trens. Ali mesmo funciona o restaurante do Regazzoni, Gato Viejo, onde supostamente ele cozinha para os comensais. Eu já fui! Mas tomei só Fernet Cola. Ainda bem porque a fama precede a figura de Regazoni. E essa fama é mal cheirosa e pouco higiênica. Mas o ambiente tem lá seu charme boêmio, meio bodegón, meio ateliê.

Fica na: Avenida Libertador 405

Museo de Arquitectura

Esse museu fica mais pro lado da Recoleta, mas se você for ao Museu Ferroviário fica realmente perto. Foi inaugurado nos anos 2000 pela Sociedad Central de Arquitectos e funciona na ex torre de água do complexo ferroviário de Retiro. É parecido ao próprio edifício do Museu Ferroviário, o que faz sentido já que ambos são expoentes da arquitetura ferroviária desenvolvida na Argentina.  Além de arquitetura, o museu dedica-se às mostras das áreas desenho industrial e gráfico, imagem e som, têxtil e indumentária, nacional e internacional pros entendidos e pro público em geral. E também tem umas mostrinhas de cine super astral. Essa quarta-feira mesmo, 1º de abril e véspera de feriado, às 19h30 exibem El Mercado, de Nestor Frenkel, um filme sobre o bairro do Abasto. E até 19 de abril dá pra conferir as mostras BKF ON, pros amantes do neon como eu, de María Belén Gallegos y Nicolás Martelletti que homenageia o desenho de Bonet, Kurchan e Ferrari Hardoy; INTERESPACIOS, dos artistas plásticos María de la Vega, Yanine Gribnicow y Alejandro Gigli e EL VELO DEL TIEMPO, exposição de fotos de  Abraham Votroba

Fica na: Avenida del Libertador, 999

Museo de Arte Hispanoamericano Isaac Fernández Blanco

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Esse museu ta fechado, mas reabre no dia 19 de março.  Uma das sedes é o Palácio Noel, uma casona de arquitetura neocolonial com jardim de inspiração espanhola. A coleção inclui prataria, mobiliário e demais artigos ibero-americanos, como documentos, livros, ornamentos religiosos, gravuras, cerâmica, indumentária e acessórios dos séculos XVI a XIX, que contribuíram para a própria formação identitária argentina.

Fica na: Suipacha 1422

 

Restaurantes

Tancat:

tancat

Restaurante de comida espanhola, e é bem possível que seja um dos mais respeitáveis restaurantes de comida espanhola na cidade. Bem cheio, lá só com reserva. Tem um balcão bem extenso, e as mesas estão bem juntinhas umas das outras. Reza a lenda que o local tinha inicialmente 3 metros de largura por 25 metros de profundidade, bem pra comer de pé no balcão. Um arquiteto foi chamado para pensar soluções para aproveitar esse espaço e o resultado foi tão bom que acabou dando uma aula na faculdade de arquitetura da UBA. A marca registrada é um vermelho, vermelhasco, vermelhusco onipresente que teria se convertido no nome de uma tinta especial que pode ser adquirida nas lojas de tintas.  O lugar tem muitas outras histórias. Mas melhor que lê-las, é ir lá e se esbaldar nos frutos do mar.

Fica na: Paraguay 645

El Federal:

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É um restaurante que faz uma releitura da clássica gastronomia argentina, incorporando ingredientes nada óbvios. Percorre quase  o país inteiro, ou melhor vai de Ushuaia a La Quiaca (o do Oiapoque ao Chuí daqui) – e abarca a gastronomia patagônica, pampeana e do noroeste.  A especialidade da casa é o cordeiro patagônico. A decoração é bem de campo com mesas de madeira, cadeiras forradas com couro de vaca, no teto pende uns galhos de árvore, tem excelente iluminação indireta. Super climático, super Argentina profunda, autóctona, mas ao mesmo tempo moderna. Vale mencionar que os pãezinhos oferecidos antes da refeição ali são os melhores de toda Buenos Aires: pão do campo quentinho e… pão de queijo!

Fica na: San Martín 1015

Dadá Bistrô

Sinceramente a comida do Dadá não é grandes coisas. Você encontra ali umas carnes, massas, nada que foge muito do habitual, no entanto é um restaurante de culto. É pequeno e charmoso. E ta sempre ultra-mega lotado, seja no after office, seja muitas horas depois disso, as mesas ficam cheias com grupos de amigos tomando drinks e conversando até tarde.

Fica na: san Martin, 941

 

Bares

Hi society

Basa

basa

Fica numa espécie de basement super estilizado, com paredes de concreto, é bem amplo, boa música, uns globos espelhados no teto, vasta carta de drinks, disse o taxista que freqüentado por políticos e celebridades da TV, o público em geral é early e late 30’s. É dos poucos lugares aqui na cidade que registrei um Valet Parking na porta. Ou seja, transita facilmente entre o brega e o chique, mas não sei se o faz voluntariamente. O curioso é que eles resolveram adotar uma estética da fome na apresentação dos drinks. Pedi um que estava delicioso à base de whisky e com gengibre e limão, que veio numa garrafinha de vidro de whisky barato ENVOLTO NUM SACO DE PÃO, simulando o drink do mendigo. Fiquei realmente desconcertadíssima com essa referência e não consegui mais voltar.

Fica na: Basavilbaso 1328

Floreria Atlantico

floreria

É mais um bar secreto de Baires (tem outros como o Frank’s e o Puerta Uno). Fica numa das ruas mais luxuosas da cidade. Aparentemente é exatamente isso, uma floreria, onde você pode comprar flores e vinhos. Mas…abrindo uma porta pesadíssima que leva ao porão e descendo as escadas você chega no bar, que já figurou na lista dos 50 melhores bares do mundo. O dono é um sujeito super viajado, e por outro lado, recupera um cosmopolitismo que esteve presente na fundação de Buenos Aires, como em tantas capitais do Novo Mundo, erguidas pelos imigrantes, e se notam as referências de ultramar na decoração, mas especialmente na carta de drinks que está dividida por países. Cada país é identificado essencialmente pela bebida que serve de base para o cocktail, na definição do próprio Martin Auzmendi: “Chegaram bartenders norte-americanos e cantineiros espanhóis, o gim amado pelos ingleses e a ginebra holandesa, os amargos italianos e o xerez andaluz, o rum de Cuba navegando pelo Atlântico e o pisco peruano desde o Pacífico, os mestres cervejeiros alemães e o anis dos turcos, a fada verde e o champagne dos franceses e o vinho generoso dos portugueses”. Ah sim, eu acrescentaria que do Brasil chegou a excelente música que toca lá nos discos de vinil.

Fica na: Arroyo 872

Buena Onda

Barís

O Barís é uma perolazinha escondidinha no Retiro. Dentro deve ter assim umas duas mesas, e uma mesa coletiva para umas cinco, seis pessoas, lá fora tem mais umas quatro mesinhas. Os donos são um casal de estrangeiros, penso que lá do leste europeu, Alemanha (?) mas não tenho certeza, simpáticos e acolhedores toda a vida. Você pode escolher entre a infinidade de opções de cervejas artesanais nacionais e importadas. Algumas vem láááá do fim do mundo, da Tierra del Fuego. Bateu a fome?  Peça o delicioso cachorro quente de salsicha alemã e chucrut. De vez em quando rola uma musiquinha brasileira lá também. No after office as mesas ficam todas ocupadas, mas sem aquela sensação de claustrofobia característica desse horário. É o lugar perfeito pra curtir o verão, desfrutar uma cerva, numa mesa na calçada, curtindo a vibe do microcentro revitalizado, observando o movimento da rua que tem muito pouco carro, muita gente circulando. Frequentado por locais, mas também por alguns estrangeiros, especialmente brasileiros, que estão hospedados nos hotéis do bairro.

Fica na: Marcelo T. de Alvear 789

Bagacero

Olha só se você curte a vibe irish e transa o hooliganismo, o Retiro oferece várias opções de pubs bem escurinhos  pra você se esbaldar na Guinness, ouvir um rocknroll, comer meio mal, como o Downtown Matias (o bom desse bar é que cada mesinha é um micromundo com sua própria TV, certa vez ficamos lá vendo um show inteiro do Metallica), o Temple (nesse tem uns showzinhos dumas bandas cover e muitos jovens) e o Kilkeny (nunca fui, não sei se pretendo, é possível que não)

O Downtown fica na San Martin 979

O Temple, na Marcelo T. de Alvear 945

O Kilkeny, na Marcelo T. de Alvear 399

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